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filosofia e teologia demonstram a inexistência de “meras idéias”. quando filósofos são citados, o padrão que é ativado é o de homens velhos, barbudos e inofensivos, tomando chá e conversando sobre idéias que não são facilmente entendidas. mas essa imagem é errada!
“os acontecimentos do mundo e da vida das pessoas navegam sobre as águas de um mar ideológico. as matanças no camboja procedem de discussões filosóficas em paris”. paul johnson. a history of the modern world from 1917 to the 1980. londres: weidenfeld and nicolson. pp 654-55. ideologias e slogans possuem uma influência assustadora sobre os que as compartilham. negros foram lixados vivos e escalpelados no estado do texas, homossexuais foram internados em hospitais psiquiátricos e exorcizados (quando não mortos), cristãos tiveram mortes das mais variadas, judeus foram brutalmente massacrados em nome de uma ideologia perdida alemã, iraquianos inocentes morreram para saciar a sede de sangue ianque, pessoas que não possuem o padrão de beleza convencional são ignoradas todos os dias. pessoas navegam todos os dias no fluxo de “meras idéias” sem analisá-las, a ponto de matar, discriminar e ignorar.
quando nos voltamos para o cristianismo, as coisas não são melhores. acompanhe a história do cristianismo e verá que muitas vezes os cristãos foram perseguidos por líderes que afirmavam possuir o direito divino para dizimar aqueles que possuíam uma compreensão diferente acerca das Escrituras (se é que realmente elas eram o foco da questão em tais épocas). o problema quando se adéqua fatos a teorias é que eles tendem a ser moldados a elas. quer um exemplo disso? frequente regularmente a alguma comunidade cristã e logo você ouvirá idéias em sermões que seguramente não tem por base as Escrituras, mas a mente de quem as proferiu.
eu teria poucas dificuldades com as escrituras se jó não tivesse enfrentado tudo que passou sem uma explicação, se paulo não sofresse tanto e estivesse em paz em meio a todo o terrível sofrimento que enfrentou, se Cristo não tivesse dito que devemos ser iguais a Ele como Ele o é com o Pai ou se pedro não tivesse falado das obras do espírito em nossa vida. mas o problema não está nas escrituras, mas em mim. é preferível aplicar uma compreensão minha à Bíblia, a ter que mudar minha vida para me espelhar no que ela diz.
os judeus foram peritos em fazer isso nessa prática, a ponto de Paulo escrever que “a ira do Senhor se manifesta sobre os homens que mantêm a verdade prisioneira da injustiça”. Rm 1.18. paulo demonstra que lidar com idéias bíblicas não e tão simples quanto parece. não se trata do que penso a respeito (do que acho). por trás delas existem aprendizado e seriedade. assim como a ira do Senhor se manifestou sobre os judeus, ela pode se manifestar hoje (se não se manifesta) sobre aqueles que usam as Escrituras como endosso para suas idéias (muitas vezes absurdas).
a forma como o talmude ordenava que os mandamentos fossem guardados era opressora e não bíblica. a forma como Cristo viveu os mandamentos é radical e libertadora. mais fácil seguir um cristianismo baseado em sermões de pregadores psicológicos e morais, ou em frases repassadas pela internet? mas o sentindo do cristianismo não é que você o adéque a sua vida, mas que sua vida seja transformada por ele.
até mesmo a filosofia clássica fala do esvaziar-se antes do aprendizado. no cristianismo essa prática é mais necessária ainda. Cristo diz que precisamos deixar nossas “meras idéias” de lado para que ele nos ensine a termos “vida e que a tenhamos em plenitude”. Jo 10. 10
b. schwantes



