[ouça 2/2]

domingo, 27 de setembro de 2009
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existe outra reflexão possível para a frase citada no primeiro texto. uma reflexão teológica, mas precisamente hermenêutica.
você já analisou quantas denominações existem atualmente? lembro que quando cheguei ao bairro onde moro hoje havia somente uma igreja (a que costuma existir na frente de toda praça principal). hoje existem inúmeras, inclusive uma igreja de esquina que se considera uma catedral. e pasme: cada denominação afirma possuir uma compreensão das Escrituras original e revelada. ou o princípio hermenêutico de possuírem as Escrituras uma única teologia não é válido, ou existe um grande problema em meio a essa situação.
tenho grande apreço pelo diálogo acerca das Escrituras, principalmente com pessoas de outras denominações e com aqueles que não possuem crença religiosa alguma. note que a problemática maior dessa questão é o fato de inúmeros religiosos não conseguirem “ouvir as Escrituras”, pois a voz de suas idéias fala mais alto. isso explica o fato de religiosos pregarem como verdade, aberrações declaradas para a teologia bíblica. somente aqueles que têm ouvidos para ouvir – e a mínima condição de fazê-lo – podem ouvir as Escrituras falarem de suas verdades.
falar em nome das Escrituras não é dizer o que você pensa ser a verdade. assim como a Bíblia não é um oráculo contendo todos os mistérios e segredos do nosso planeta e no universo, ela foi escrita com um propósito de relatar a história necessária do nosso planeta e da redenção dos eleitos e a revelação daquilo que o Senhor faz conhecer através dela.
não encare a Bíblia como a “hermenêutica bíblica medieval” procurando uma revelação particular – esquecendo o seu conjunto – para problemas e situações de vida, ignorando a tradução-interpretação bíblica.
não confunda o sentido da reforma protestante. ela não afirmou ser qualquer – sem condições necessárias de fazê-lo – um capaz de traduzir-interpretar as escrituras. ela afirmou a possibilidade de todos “ouvirem-na” para que a possam compreender.
não ignore a necessidade de mentores que irão auxiliá-lo na compreensão das Escrituras. falo de mentores verdadeiros, não charlatões. a própria Escritura fala acerca da necessidade deles.
da próxima vez que for ler a sua Bíblia, lembre-se que você a lê com o objetivo dela revelar as verdades descritas em suas páginas, não para que você endosse o que pensa ser a verdade bíblica com suas palavras.
aqueles que têm ouvidos para ouvir, ouçam.

 b. schwantes

[rosh hashaná]

quinta-feira, 17 de setembro de 2009
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o mês de tishrei é o sétimo no calendário judaico. Isso pode parecer estranho, pois rosh hashaná, o novo ano, é no primeiro e segundo dia de tishrei. a razão é que a torá fez o mês de nissan o primeiro do ano, para enfatizar a importância histórica da libertação do egito, que aconteceu no décimo quinto dia daquele mês, e que assinalou o nascimento de nossa nação.
entretanto, de acordo com a tradição, o mundo foi criado em tishrei, ou mais exatamente, adam (adão) e chava (eva) foram criados no primeiro dia de tishrei, que foi o sexto dia da criação, e é a partir deste mês que o ciclo anual se inicia. por isso, rosh hashaná é celebrado nesta época.
há doze meses no ano, e há doze tribos em Israel. cada mês do ano judaico tem sua tribo representativa. o mês de tishrei é o mês da tribo de dan. isto tem um significado simbólico, pois quando dan nasceu, sua mãe lea disse: "D'us julgou-me e também atendeu à minha voz." dan e din (yom hadin, dia do julgamento) são ambos derivados da mesma raiz, simbolizando que tishrei é a época do julgamento divino e do perdão. Similarmente, cada mês do calendário judaico tem seu signo no zodíaco (em hebraico mazal). o mazal de tishrei é a balança. este é o símbolo do dia do julgamento, quando D'us pesa as boas e as más ações do ser humano.
o primeiro dia de tishrei, que é o primeiro dia de rosh hashaná, jamais pode cair num domingo, quarta ou sexta-feira. historicamente, entretanto, o primeiro rosh hashaná foi numa sexta-feira, o sexto dia da criação. neste dia, D'us criou os animais dos campos e das selvas, e todos os animais rastejantes e insetos, e finalmente - o homem. assim, quando o homem foi criado, encontrou tudo pronto para ele.
os judeus entendem a diferença entre rosh hashaná e o ano novo secular. rosh hashaná não é uma ocasião para festejar e se soltar. sim, está associado com celebrações, como declara a torá: “coma alimentos suculentos e tome bebidas doces, envie porções àqueles que não têm nada preparado… não fique triste, pois o júbilo de D’us é a sua força.” porém a mesma passagem dá a razão para o júbilo: “o dia é sagrado para nosso D’us.”
para a compreensão judaica, mais especificamente, rosh hashaná é o dia do julgamento, quando D’us “abre o livro das lembranças… e todos os habitantes do mundo passam perante Ele como ovelhas… e Ele escreve seus decretos.”



shaná tová!

[ouça 1/2]

sexta-feira, 28 de agosto de 2009
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um bom diálogo necessita do silêncio. era o que dizia o meu avô para me ensinar acerca da necessidade de ouvir. note algo: existem poucas situações tão complicadas quanto um diálogo que envolve idéias controversas. costumo ser um bom observador, e é fácil ver que na maioria dos diálogos, enquanto você fala, a outra pessoas realmente não está analisando e refletindo as idéias proferidas. na verdade, ela está estruturando sua resposta sem ao menos ter ouvido o que foi dito. é um desastre tentar dialogar com pessoas assim. costumo não desperdiçar tempo na tentativa de diálogo com esse tipo de pessoas. e quando leio as Escrituras, vejo que não sou o único.
quando Cristo proferia suas parábolas, geralmente ele pronunciava uma conhecida frase “aqueles que têm ouvidos para ouvir, ouçam.” a frase poderia ser entendida como: se você realmente deseja ouvir e está em condições de fazê-lo, ouça. Cristo não “empurrava goela abaixo” o evangelho que viveu e apregoou. duas reflexões podem ser extraídas dessa frase, uma do cotidiano e outra teológica.
infelizmente um bom número de “religiosos” (é somente assim que consigo concebê-los, pois não cometeria o absurdo de chamá-los de cristãos) não consegue conceber um diálogo sobre compreensão bíblica como algo do campo das idéias, mas lidam como se fosse algo absolutamente passional.
seguramente isso está ligado a sua compreensão do que significa a fé cristã. ela não está ligada a uma “massa de pessoas” praticamente em “transe”, dado o “embalo” emocional da música e pregação de um carismático. a fé cristã descrita nas Escrituras é o resultado da compreensão (ou revelação) e vivencia do evangelho. se essa fé não fosse alvo de diálogo não poderia ser chamada de cristianismo, seria uma seita e o próprio Cristo teria errado em sua forma de apregoar o evangelho.
perceba que a descrição de fé feita por paulo no livro de hebreus está mais próxima da descrição do resultado da fé, não do seu conceito de proceder. pedro é quem melhor nos indica – em 1 Pe 3.15 – como deve ser esse proceder da fé. como cristãos devemos estar preparados para “dar razão de nossa fé”. pedro está falando de apologética; a possibilidade e necessidade de ser o evangelho posto em diálogo. os maiores apóstolos descritos nas Escrituras eram aqueles que dialogavam acerca do evangelho com pessoas que seguramente não compartilhavam de suas idéias. isso é descrito como pregar o evangelho.
você consegue ver o quanto o “meio religioso” e a relação entre religiosos e não religiosos mudaria o seu proceder se compreendesse essa questão?

shalom shabbat!

b. schwantes
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p.s. encare esse texto como uma conversa entre autor e leitor.
não sei quanto ao chat de hoje, aviso pelo twitter.
o texto próximo que publicarei será a continuação desse: ouça 2/2. 

[Deus está morto?]

terça-feira, 18 de agosto de 2009
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gott ist tot (deus está morto). acredito que a maioria daqueles que irão ler esse texto já leram essa frase e possivelmente tiveram aversão a ela. por haver escrito essa frase, nietzsche é considerado um herege por muitos. a grande verdade é que a maioria das pessoas que lê essa frase não a compreende. tal frase não passa de uma conclusão da análise de época feita por seu autor. nietzsche teve seus motivos para escrevê-la.  hoje, eu possuo os meus para indagar se seria verdadeira essa conlusão.
a primeira vez que li essa frase foi aos dez anos. não diferente de muitos, a considerei – no mínimo – herética. os anos se passaram, assim como o meu interesse pelo estudo dos atributos do Senhor (falo do “אֱלוֹהִים” [Elohim], o conjunto conhecido por Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo). após nove anos, fui levado a concluir: em muitas congregações, o Deus revelado pelas Escrituras "está morto".
muitos adoram a um deus que é fruto de uma construção de suas mentes, não o Deus descrito nas Escrituras. pouco se estuda, na verdade, pouco se conhece sobre Deus. o mais preocupante é que essas pessoas amam a sua construção de deus e a seguem como verdadeira.
as livrarias, chamadas de evangélicas, talvez sejam uma boa evidência desse quadro. você pode encontrar inúmeros livros cristãos de “auto-ajuda” e “guias” de como encontrar a Deus e ser um bom cristão (títulos com uma face de “make yourself” do cristianismo).
os dias de maior idolatria são sábados e domingos. milhares de pessoas vão a igrejas e adoram a um deus que absolutamente não existe nas Escrituras, somente em suas mentes. 
isso não as leva você a se questionarem sobre qual deus têm seguido? oro por dias em que as congregações sentirão vontade de conhecer ao Deus das Escrituras, e segui-lo.

assim diz o Senhor: "não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor [...].” Jr 9: 23-24.



b. schwantes
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p.s. estou voltando a ativa! o segundo semestre do site, começa aqui.
dependendo da reação dos leitores, escreverei um segundo texto sobre esse assunto. sexta estarei no chat. ate lá, avisarei e trocaremos idéias pelo twitter.
que o Senhor os abençoe!
abraço!

[09.08]

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

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 o calvinismo está “certo”? o Senhor é quem controla tudo, ou a nossa liberdade de escolha é o determinante? o que as Escrituras dizem sobre isso? quais implicações práticas existem no estudos dos atributos divinos? a compreensão do evangelho necessita da compreensão desse assunto?
por acreditar que a compreensão desse assunto é fundamental para uma relação esclarecida e real com o Senhor, faz seis anos que me dedico ao estudo e reflexão dele. ao adorar a um deus que foi uma criação deles e não uma revelação das escrituras, é possível que muitos pratiquem idolatria. essa é uma das maiores preocupações relacionadas.
enfim, nesse domingo irei conversar com a igreja de monte castelo sobre isso. será a primeira vez após esse tempo de estudo e reflexão. nossas respostas serão proporcionais a revelação das Escrituras sobre esse assunto.

será um prazer ter você conosco!

b.  schwantes
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